As raízes do problema – de Getúlio a Itamar
Porque não. Essa foi a resposta que tivemos que ouvir desde sempre ou pelo menos desde que Getúlio caiu, lá em 54. Foi ele quem implantou o ensino público brasileiro, tão abandonado desde então. O lógico seria que fossem feitos investimentos contínuos nos governos seguintes para que um dia, então, tivéssemos uma educação de quantidade e qualidade.
Bem, sabemos que não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o que vivemos em seguida foi uma série de governos lunáticos preocupados com outras áreas que não a educação. Tivemos um Kubitschek desenvolvimentista (nem tanto assim), um Jânio Quadros cheio de promessas não cumpridas e um João Goulart interrompido. A partir daí, o Brasil optou, sob pressão, por um caminho quase sem volta: o alinhamento aos Estados Unidos da América, um país que pouco tem a ensinar para o Brasil em termos sociais. O período militar pouco ofereceu ao país em questões sociais e pior, apostou em obras faraônicas (muitas vezes inúteis) que muito contribuíram para a dívida externa brasileira.
Os anos 80 foram marcados pela depressão econômica e pelo fim da ditadura no país. Em nosso primeiro governo “democrático”, tivemos ainda o mantimento de certa “ordem” resultante da ditadura, administrada por José Sarney. Com fins de recuperação econômica, o governo apresentou inúmeras medidas de salvação do país nesta área e, mais uma vez, tentou resolver apenas o problema que batia imediatamente a porta: a inflação. Collor manteve sua linha e Itamar Franco, conseguiu finalmente resolver o problema... da economia. A educação manteve-se no mesmo nível de antes, ou mesmo pior.
Os governos que sucedem Itamar no poder merecem atenção e análise especial, não só por administrarem momentos menos tensos do país, mas também por terem durado mais tempo que qualquer outro governo pós-1945. Tanto FHC quanto Lula serão analisados na segunda parte do artigo.
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