Por que a política de Cabral é frágil e temporária?
Sérgio Cabral é o típico político populista remediador. É o grande rosto do PMDB no Rio de Janeiro e representa bem o que é uma grande característica do partido: a falta de personalidade. Ainda sou daqueles que veem poucas semelhanças entre Lula e certas alianças que seu partido fizera ao longo de seu mandato e ainda não consigo, por exemplo, conectar a imagem de Dilma a de Michel Temer. A verdade é que “temo” pela saúde da nova presidente agora que ele é vice. Mas logo após a grande vitória eleitoral da chapa aloprada, um velho problema ressurge de baixo dos tapetes fluminenses: a eficácia das Unidades de Polícia Pacificadora.
O projeto das UPP’s no Rio de Janeiro, infelizmente, mostrou-se apenas mais uma medida falha e incompleta, até mesmo barata para remediar os problemas de segurança pública carioca. Esse programa do atual governo conseguiu, de acordo com o próprio site do governador, “pacificar” nove comunidades na capital fluminense, mas os últimos atentados na cidade dizem o contrário. A discussão em torno das Unidades de Polícia Pacificadora é que elas não são totalmente eficazes e apenas desviam o problema para fora da capital em direção ao interior do estado. Somado a inúmeros outros programas do governo, esse apenas completa o grupo dos programas especializados em varredura para baixo do tapete.
A interiorização do problema social se expressa nesses últimos acontecimentos através das oito mortes (até agora) em Belfort Roxo, na Baixada Fluminense e na queima de um veículo em Cabo Frio, na região dos Lagos. Ressurge agora a dúvida que em mim já se havia manifestado há muito: será que Sérgio Cabral merecia todos os votos que recebera dos habitantes do interior? Acho que não. Sinceramente, o governo estadual trabalha mais pela cidade do Rio de Janeiro do que a própria Prefeitura, que (surpresa) é administrada também por um peemedebista, Eduardo Paes. E ambos lutam por dois únicos objetivos comuns: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.
Tenho absoluta certeza de que o projeto do governador funcionaria plenamente se unido a ele viessem investimentos em educação. O projeto de escolas com horário integral pensado por Brizola foi abandonado por seus sucessores que deixaram os CIEP’s ou Brizolões abandonados desde então, inclusive por Cabral, que esqueceu do ensino público estadual que atualmente só perde para dois estados pobres da Federação.
Enfim, a máquina de propaganda venceu mais uma vez e o modelo peemedebista de governar está confirmado por mais quatro anos, enquanto durar o caso de amor entre o Rio de Janeiro e seu governador. Enquanto isso, ao projeto nem um pouco “cabal” de Cabral: Amém.
Enfim, a máquina de propaganda venceu mais uma vez e o modelo peemedebista de governar está confirmado por mais quatro anos, enquanto durar o caso de amor entre o Rio de Janeiro e seu governador. Enquanto isso, ao projeto nem um pouco “cabal” de Cabral: Amém.